domingo, 13 de setembro de 2009

Adeus.

Tocaste à campainha e fui abrir quase aos saltinhos (pelo menos o coração saltava) mas antes passei no espelho para verificar se o corrector de olheiras tinha feito o seu trabalho. Não queria que visses, pensasses sequer, que estive a chorar nestas últimas noites e alguns minutos durante os últimos dias. Tu não me podias ver/imaginar a chorar. Não eu que era forte e não chorava por ninguém. Não eu que era a menina perfeita que me recusava sofrer por amor. Abri a porta e ali estavas tu, qual deus, fantástico como sempre, nas tuas calças de ganga coçadas pelo tempo e com a tua t-shirt preta que te tinha sido oferecida por alguém que fazias sempre questão de dizer. E sorriste-me. Atiraste-me aquele sorriso de soslaio, aquele que eu adoro, e derreti toda por dentro. (Tu não sabes o verdadeiro poder que tens em mim.) Deste um passo em frente e beijaste-me na bochecha. Porque não nos lábios? - apetecia-me ter-te perguntado, mas não queria parecer desesperada. Sentaste-te no sofá que, um dia, me tinhas ajudado a escolher – “Este, porque é bonito. Condiz contigo” – e eu acreditei em ti e trouxe-o. (Porque não estavas a dizer agora que eu era bonita?). Sentaste-te e olhaste para mim e aí soube que estava tudo mal. Não aceitava um “temos de falar”. Não eu, sempre tão contra às frases feitas e ditas por toda a gente. E então encostaste os teus lábios ao meu ouvido e eu estremeci. (Estremecia sempre que me fazias isso e tu sabias). E começaste a cantar completamente colado a mim. E eu já tinha tantas saudades disso e deixei-me levar, levitar, quase chorar por te ouvir tão perto de mim, por respirar o teu perfume, por te ter outra vez comigo, ali, tão perto, tão palpável, tão real. Mas tu estavas a despedir-te de mim. Estavas a dizer adeus da mesma maneira que tinhas dito centenas de vezes amo-te: a cantar. A música tinha, efectivamente, a palavra ADEUS. E o meu coração deve ter parado ali, enquanto tu terminavas a música e te despedias com um beijo nos lábios (aquele que eu queria) e saías porta fora sem dizeres uma única palavra. E eu nunca mais te vi, senti, ouvi. Nunca mais cantei e nunca mais te encostaste a mim. Nunca mais me abraçaste nem beijaste. Mas ainda me lembro da tua voz a entrar na minha cabeça e a descer até ao meu coração que parecia uma bomba pronta a explodir. Vou-me sempre lembrar da tua voz no meu coração.

16 comentários:

Pedro disse...

Real ou ficção? Seja como for com sentimento... se fores tu...força...a vida segue em frente!

Lua Escondida* disse...

Metade ficção, metade realidade. =)

Obrigada Pedro!

Bunyssa* disse...

Oh lua....perfeito!!

*

Inês disse...

tão bonito *.*

Lua Escondida* disse...

Bunyyy: Voltaste!!!

Inês: Obrigada!

Nuvem disse...

Lindo Lua.
Ficção ou realidade é sempre a despedida de uma pessoa que amamos e que nos recusamos a mostrar o quanto nos faz sofrer.
Gostei muito e espero que estejas bem :)
beijinhos

emilia (per pensare) disse...

Gosh, que história mais melancólica!

Relativamente à universidade, obrigada =D, a verdade é que ja me tem dito isso mais vezes, o que nao me impede de estar completamente apavorada, mas já que estou lá dentro, bora lá pegar no toro pelos cornos! LOL

Beijooooo *

jagga disse...

"Não eu que era a menina perfeita que me recusava sofrer por amor"


Boa sorte com essa parte menina... (introduza-se sorriso irónico) Se descobrires a fórmula para o fazer avisa (introduza-se segundo sorriso irónico e olhar incrédulo sem pontinha de esperança).


Muito bem escrito mulhé... Acho que é do que aqui tens no blog até agora o que mais gostei de ler. (introduza-se abracito electrónico pa esses lados)

Vera disse...

Lindo. Parabéns!

Lua Escondida* disse...

Nuvem: Obrigada e não te preocupes que estou optima! =)

Emilia: Vais amar, vais ver! Quem me dera estar agora a entrar!!

jagga: Obrigada pelos sorrisos (mesmo que irónicos e electronicos) e pelos abraços. E já agora pelas mensagens e pelas pelavras! =)

Vera: Obrigada!


Beijinhoos a todos*

gimbras.nofuturo.com disse...

Uau.

Confesso que não tinha (não tenho) a mínima vontade de ler fosse o que fosse mas, desde o início do texto que ele me prendeu e por ele desci natural e calmamente, sem esforço, tão doce... como uma música que se canta ao ouvido.

Obrigado.

Paulo disse...

Eu acho que todos os textos somos nós, de uma forma mais ou menos fiel, mais ou menos exagerada, mas no seu cerne, na sua essencia, somos nós.

Texto Brutalmente bem escrito. Adorei mesmo!

Purple Petunias disse...

Lindo.
Simplesmente fantástico.

Raquel Granja disse...

É mesmo uma daquelas coisas que eu quero! Começo a nao me sentir bem com algumas coisas da minha personalidade.

Purple Petunias disse...

Obrigada pelo comentário =)

O amor és mesmo lindoooooooooo. Hehehe

Beijinho

Lua Escondida* disse...

Gimbras e Paulo: Obrigada! E toca a cantar ao ouvido das donzelas!=)

Purple Petunias: Benvinda e obrigada. E sim, o amor é fantastico!


Raquel Granja: Força nisso então!:)