quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Carta XLIX

O dia em que me contaste foi o dia em que o meu mundo desabou. Fiquei sem chão e abateu-se em mim uma tempestade de sentimentos bons e maus que não há memória de coisas assim. Eu fui forte. Ou melhor, tentei ser forte. Tentei que a minha cabeça e principalmente o meu coração deixassem de saber de ti. Não consegui e acho que te devo um pedido de desculpas por isso. Mas tu nunca vais entender isto, esta minha incapacidade de olhar para ti e querer-te comigo, nunca vais entender o que sinto quando te esqueces de mim, nunca vais perceber o impacto que TODAS as tuas atitudes - boas ou más - têm em mim. E eu também não te vou conseguir nunca explicar o porquê de (querer) chorar todas as noites por ti, o porquê de me fazer imbatível e mostrar que quase nada me magoa à tua frente quando isso não é verdade. Eu sou assim por ti, espero que percebas. Descobri que sou óptima a inventar coisas que não sinto só para tu estares bem. E eu só queria que fosse tudo mentira. Estou a ser injusta e egocêntrica, eu sei, mas era o que eu queria.
 E um dia tu choraste e eu abracei-te e disse que ia correr tudo bem. Agora que eu choro, tu nunca estás aqui para me abraçar e para me prometer o mesmo. E estás sempre tão em mim e sempre tão longe.



por Petúnia.

3 comentários:

Girl in Motion disse...

ohh adorei o texto :x

mil pedaços disse...

Adorei o texto, está lindo.
Já passei pelo mesmo! :/

O canhoto disse...

É triste ver as pessoas a passaram por estas situações, mas são inevitáveis... Só quem não sente é que não sofre.
É terrível perceber que precisamos mais de uma pessoa do que ela de nós, depois somos orgulhosos demais para o admitir ( e quando não o somos é mau sinal, é elucidativo do estado de desespero a que chegámos).
É horrível quando damos tudo e lutamos... e mesmo assim não é suficiente..