quarta-feira, 7 de julho de 2010

Carta XLV

Foi precisamente no dia 19 de Janeiro de 2009 que tudo acabou...

Nesse dia senti que não ia haver volta a dar, que nunca mais iria estar no teu quarto, que nunca mais ia estar abraçado a ti, que nunca mais ia passar bons momentos contigo, que nunca mais iria passear contigo, que nunca mais irias falar comigo de forma carinhosa, que nunca mais te teria por perto, que nunca mais nada seria igual.

Fui para a varanda chorar, ver por a última a vez aquele lugar, olhei à volta no teu quarto, tentando ganhar forças para poder ir dizer "Adeus" à tua mãe. Chorei no teu quarto, agarrado a mim mesmo sem saber o que fazer, queria fugir mas não tinha para onde ir, queria ficar mas já nada fazia sentido. Tudo parecia tão irreal... Lá me consegui controlar e pedi para ir embora, fui ter com a tua mãe e tentando esconder os olhos disse um simples "Até amanhã" e fui-me embora. Levaste-me até ao metro disse que não queria boleia... Pedi-te para me vires buscar ao Marquês pois não conseguia aguentar mais. Qualquer lado para onde olhava me lembrava de ti. Estava a chover, mas não queria saber, era uma forma de disfarçar as minhas lágrimas na rua. Finalmente apareceste e entrei no carro, fui a chorar o caminho que tantas vezes tinha feito contigo. O caminho que tantas vezes percorremos quando me ias deixar ao barco, mas desta vez era a última que o percorrerias comigo. Chorei o caminho todo a pensar no que tinha perdido e no que nunca mais voltaria a ser. Chegámos e fiquei a chorar no carro sem forças para sair, pedindo por tudo para que não me deixasses. Cheguei a casa e esforcei-me por não chorar à hora do jantar, não sabia o que fazer, estava desesperado.

Pedi para te telefonar, mas só conseguia sentir calma e tranquilidade na tua voz, quando eu estava tão assustado e perdido. Só desejava que tudo tivesse sido um pesadelo e que acordasse a qualquer momento. No outro dia tinha exame não sabia como o iria fazer... Por milagre consegui ter cabeça para o resolver... Mas depois?? Onde estava o passeio que eu costumava dar contigo? Onde estava o abraço? Onde estavam os beijos? Tudo perdido e eu sem saber o que fazer...

A partir daí já eu sei a história decor, o sofrimento constante, o aperto no peito, a vontade de estar contigo, o ciúme e raiva de ter ver com outro, a tristeza de ter perdido tudo, a obsessão de voltar atrás e fazer tudo diferente, a esperança de que voltasses para mim, as tentativas para que visses que poderia resultar...

Tudo me foi negado... Disseste-me mais tarde que tinha sido a melhor decisão para ti, negaste-me um abraço e simplesmente esqueceste tudo aquilo porque tínhamos passado, todas as promessas e sonhos que destruíste sem dó nem piedade. Sofri de uma forma que não achava possível, desesperei por ficar bom, mas a dor não acalmava e os dias eram um tormento.

Cumpri a última promessa que te tinha feito, por mim especialmente e também por ti. Mudei porque não estava bem, mudei porque precisava. Mas isto já tu não quiseste saber.
Não imaginas o que foi para mim...
E não sei se é so invenção minha mas se é mesmo real, mas sinto um aperto no coração...
Hoje estou sozinho, feliz e mudado...
Ela namora à quase um ano, é feliz e está mudada...
Tanta coisa que mudou na minha vida... E tudo acabou e começou neste dia, nesta hora, à precisamente um ano atrás...
A cicatriz ficou cá e tal como uma ferida real, como uma ferida profunda, repuxa quando o corpo se lembra de como foi feita.
Apenas sinto alguma saudade e tristeza, mas também me sinto bem por saber o quanto aprendi e mudei.
Talvez tivesse de acontecer, nunca saberei, a única coisa que sei é que se fosse por mim nesse dia nada teria acontecido e ainda hoje poderiamos estar juntos, hoje sei que te amei e que não foi um sentimento fugaz, como tu me deste a entender que foi o teu. Deste dia fica apenas a lembrança do amor que senti por ti e daquele sofrimento inexplicável que senti quando me deixaste.
Ainda bem que és feliz e isso que todos devemos ser.
Sei que tens medo de olhar para o passado, eu não tenho pois espero nunca mais cometer os mesmos erros que me provocaram tanto sofrimento.
Que mais um ano se passe cheio de alegria e saúde.



 ...por Diogo Silva




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Obrigada Diogo!

5 comentários:

C'est la vie disse...

Quem acaba uma relação sempre sofre um pouco menos, porque supostamente teve tempo para amadurecer a ausência de um passado em conjunto.

Diogo disse...

Obrigado por teres postado o meu texto

;)

Sabor Adocicado* disse...

uau.... qe lindo e ao mesmo tempo qe intenso. Nem sei o que dizer.. Não deve haver nada qe doa tanto como sofrer por amor.

Sérgio Amaral disse...

Diogo, as palavras que escreves podiam ter sido perfeitamente escritas por mim. A diferença é que no meu caso passaram 2 anos e tanto quanto sei ela continua sozinha e assim pretende continuar.
Devo muito aquela mulher que diz que o melhor para ambos é mantermo-nos afastados.
Este tempo de luta torna-nos melhores pessoas.
Abraço

Ana disse...

Pois um Amor assim não devia ser desperdiçado! Existe por aí tantas mulheres a desejar encontrar algo assim! Ainda bem que estás feliz , se ela tem medo de olhar para o passado é porque ainda existe muito sentimento !!!