segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Carta XV

Ainda (não) te sinto em mim…

Conheci-te no meio de Albufeira, entre amigos, piscina, praia, noitadas e risadas, até sermos convidados a dormir…que já se fazia tarde…
Foram tempos divertidos, em que tu uma criança crescida e, eu, ainda, um jovem a crescer devagar …
Desde logo despertaste curiosidade sobre mim… e tu… tu menina crescida, perto da entrada da juventude, apaixonaste-te por mim…
A diferença de idades não permitiu mais do que o desejo, o interesse e tudo mais que senti por ti… e tu tentavas, em vão me seduzir, me encantar, me fazer apaixonar por ti…
Eu bem que tentei, mas não consegui… entre cartas, sim porque ainda existiam cartas de correio em vez de cartas de correio electrónico, saídas a dois até um cinema pouco interessante, porque ainda não existiam estas salas de cinema recentes, e convites para te ver actuar numa sala a “melodiares” por entre dedos o som que saía do piano … não te consegui aceitar menina crescida…
Senti-te sempre como a irmã mais nova…aquela que eu não tive… mas, sempre… sempre senti um carinho especial por ti… não só amizade, mas não suficiente para me deixar levar por ti…
Sim era tudo uma questão de me deixar levar por ti…
Anos mais tarde vi-te… e, como sempre abracei-te, naquele abraço forte e apertado, beijando-te a face, ainda de menina crescida, mas já jovem a caminho de mulher…
Mesmo com a tua cara metade por perto, não te coibiste de aceitar o meu abraço e responderes da mesma forma…
Cresci, amadureci…já não me sinto o jovem que era…já olho para ti e vejo a mulher que és…cresceste e talvez pelos anos passados, desde a nossa ausência na vida um do outro, já não nos abraçamos da mesma forma, talvez pelo respeito que passamos a sentir pela vida um do outro…mas, no fundo sentimos vontade de isso…
Acho que nunca vamos esquecer aqueles tempos, em que te mimava como sendo a minha irmã mais nova…e, tu, na tua juventude, vias em mim o rapaz dos teus sonhos…
Hoje temos vidas separadas, quase por completo, aqui e ali encontramo-nos e, delicadamente, nos cumprimentamos… sabendo que a nossa amizade, no fundo é especial, diferente de todas as amizades que já tivemos…algo que não ficou resolvido e vai ficar por resolver…porque no fundo, sinto aquele carinho por ti de irmã mais nova…
Estive contigo esta semana…e, continuas com aquela cara de menina crescida, por entre um sorriso inocente, que só as crianças têm…
No fundo… ainda (não) te sinto em mim...
Por Pedro
_____________________________
Obrigada Pedro.
Continuem a (não) sentir e mandem as vossas cartas.

4 comentários:

gimbras.nofuturo.com disse...

Desculpa lá meter-me, mas... oh Pedro, man, come on! Tu gostas dela, ela de ti! Vive essa paixão!

Quanto ao texto... muito inspirador, travei a fundo nesta frase: "(...)despertaste curiosidade sobre mim… e tu… tu menina crescida, perto da entrada da juventude, apaixonaste-te por mim…". Muito bom.

Pedro Vitorino disse...

Acredito que possa parecer isso...mas é o mais puro engano! Como a voltei a ver lembrei-me do passado...e gosto muito de quem falo... mas, nunca consegui sentir o que queria sentir...nem sempre mandamos em nós!

P.S. - onde se lê "...sentimos vontade de isso..." deveria ser "...sentimos vontade disso..."...sorry pelo lapso!

coisas minhas disse...

ta lindo o texto =) forca ai nisso

DrogasDeEscola disse...

http://drogasdeescola.blogspot.com/

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