quinta-feira, 26 de abril de 2012

Carta LXXXIII


Querido João,
Não consigo dormir, és-me como cafeína que me circula em contracorrente nas veias, não te consigo metabolizar. Depois adormeço de dor e acordo com ressaca de ti. Isto já deveria ter passado a rotina, mas a tua ausência é tudo menos rotineira, esta dor quer-me destruir antes que tu me leves à loucura. Ainda te lembras das horas que passávamos à porta de minha casa a despedir-nos? Das vezes que vinhas ter comigo só porque tinha mencionado que tinha saudades tuas? Das vezes que andámos de mão dada pelas ruas do Porto? Dos meus apontamentos que dizias que te motivavam porque cheiravam a mim? É como dizem os Azeitonas, “tu e eu, temos tudo...tanta ternura e tanta tentação”, isso era antes, agora tudo o que eu queria era não te sentir em mim todos os minutos, e depois, de hora a hora odeio-te, mas não há um segundo em que te esqueça.

4 comentários:

Dreamer disse...

Fascinante... Simples palavras que tocam e que nos fazem lembrar como o amor nos torna doce e o próprio amor se torna amargo..
Mas há que ter forças para encarar todas estas situações, sei bem pelo que passas...

marinecoe disse...

Gostei muito!

Inspiration is Bliss disse...

Obrigada por publicares, querida Lua. E obrigada pelos comentários :)

Plato.Peter disse...

Very nice :)