quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

I could make a new start.

Provavelmente não deveria ter vestido aquele casaco porque tu não gostavas. Provavelmente o anel que usava não tinha a mesma cor e então arranjaste uma desculpa para pegar comigo. E eu devia ter ficado calada - como sempre - mas ia dar parte fraca e ia mostrar que tinhas razão. Não tinhas, porque não importa as cores mas os tons e tu não percebes nada de moda. E foi assim que, naquele dia, por causa de um casaco e de um anel, nos chateamos. Podia deixar de falar contigo pelo Benfica ter ganho ao Porto e tu não teres gostado, por termos ideias políticas opostas ou por tu preferires piscina e eu mar, tu campo e eu cidade, tu perfumes frescos e eu doces. Mas não. Foi a puta da roupa, que coisa mais parva. E eu tenho saudades tuas e não sei se deixe de andar com o casaco e com o anel que tu achavas pirosos ou se vestir aquilo muitas vezes ou sempre, porque, afinal, é a única coisa que ainda me resta de ti.






2 comentários:

Left disse...

deixa de andares com eles se o propósito for a lembrança, mas continua a usar se simplesmente te continuas a gostar de ver assim.
Aqui há dias revi o filme O Náufrago...no fim, quando ele decide sair da ilha e aventurar-se oceano fora, ele debate-se imenso com as ondas que teimam em querer que ele volte pra trás e fique preso na ilha mas ele, persistente, ultrapassa-as... salvou-se.
No sofrimento por amor é semelhante, custa quando começamos a afastar-nos de td o que nos lembra aquele amor, porque na verdade não nos sentimos preparados para seguir outro rumo, no entanto, assim que começamos a querer esquecer, ganhamos ainda mais força e..guess what, u just might surprise yourself and win :)

Força.

Beijinhos

Merenwen disse...

Gostei do texto! Sim, não é nada fácil desfazermo-nos das coisas que nos lembram alguém importante, mas concordo com o que diz a Left...o mais difícil é largar todas as amarras.